Em Igreja. Na Comunidade.
Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009
Há ou não um cavalo na história de Paulo?

Não se sabe. Pelo menos nenhum texto dos Actos ou das Cartas o refere. Mas se nos fizessem a pergunta, e sem pensar muito, quase todos diríamos que sim. Simplesmente porque a tradição iconográfica representou o Apóstolo dessa maneira, e numa intensidade tão impressiva, que estávamos prontos a jurar ter lido em qualquer passo acerca dele. Há, de facto, um inesquecível cavalo, mas nas imagens de Dürer, Miguel Ângelo, Tintoretto, Rubens, Parmigianino… - uma lista interminável! Frequentemente referido é o da pintura de Caravaggio, intitulada "Conversão de São Paulo": Paulo surge caído por terra, com os braços abertos e levantados, como quem acolhe o invisível; os olhos completamente cerrados, ligados agora a um outro entendimento. E, no centro, um cavalo imenso, a deslocar-se suavemente para fora de cena, como se não fosse já necessário, ou adivinhasse que começava, precisamente aqui, outro tipo de viagens para o seu cavaleiro derrubado.

Se o texto bíblico não alude à presença de um cavalo, como se chegou a essa representação? Há um motivo que joga com aquilo que o relato não diz, mas que é previsível (de facto, o cavalo seria um meio de transporte utilizado). E há uma importante razão simbólica. O texto de Actos 9 conta que Paulo "respirava ameaças e mortes contra os discípulos do Jesus" e foi pedir ao Sumo Sacerdote "cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de que, se encontrasse homens e mulheres que fossem desta Via, os trouxesse algemados para Jerusalém". O seu retrato é, portanto, o de um homem investido de força, acorrentado a uma convicção implacável. Ora o que a narrativa vai, em seguida, mostrar é a prostração e a fragilidade de uma personalidade assim perante a revelação de Jesus ("Saulo, Saulo, porque me persegues?").

Os textos bíblicos não dizem que Paulo tombou de um cavalo, apenas que "caiu por terra". Mas interpretando a reviravolta que este encontro provocou, artistas e comenta-dores espirituais não hesitaram em enfatizar esta queda. A globalidade da história de Paulo mostra que estão certos.

 

Tolentino Mendonça

 

In: Agência Ecclesia



publicado por Padre às 23:59
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
pesquisar
 
Junho 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30


posts recentes

Carta aberta a todos os S...

SANTO CURA D’ARS: UM MAGN...

10º DOMINGO DO TEMPO COMU...

5º DOMINGO DO TEMPO PASCA...

Nós, Jovens, acolhemos o ...

4º DOMINGO DA PÁSCOA

Parabéns Bento XVI

2º DOMINGO DA QUARESMA

Nas mãos do Pai...

1º DOMINGO DA QUARESMA

Quaresma

6º DOMINGO DO TEMPO COMUM

“Porquê ir à Igreja”

Dia Nacional da UCP

5º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Conclusões da reflexão do...

4º DOMINGO DO TEMPO COMUM

3º DOMINGO DO TEMPO COMUM

2º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Congresso Internacional s...

BAPTISMO DO SENHOR

Natal de quem?

SUSSURROS DE DEUS

Ano Sacerdotal

O Apóstolo PAULO

Teatro "Paulo de Tarso"

SOLENIDADE DA EPIFANIA DO...

FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA ...

NATAL DO SENHOR

4º DOMINGO DO TEMPO DO AD...

Presépio sem Menino Jesus

Amor a Cristo e à Igreja

3º DOMINGO DO TEMPO DO AD...

3º Domingo do Advento

IMACULADA CONCEIÇÃO DA VI...

2º DOMINGO DO TEMPO DO AD...

De onde vêm os bebés?

1º DOMINGO DO TEMPO DO AD...

O riso do Papa João Paulo...

34º DOMINGO DO TEMPO COMU...

arquivos

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

tags

todas as tags

as minhas fotos
geoweather
Hit Counter
Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds